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Da Redação | quinta, 8 de março de 2018 - 11h41

Como superar a desigualdade salarial no mercado de trabalho?

A diferença salarial entre homens e mulheres ainda é uma triste realidade do mercado de trabalho
As mulheres, quando recebem uma proposta profissional, não costumam negociar o salário. Elas tendem a ser muito passivas e pouco incisivas durante a negociação As mulheres, quando recebem uma proposta profissional, não costumam negociar o salário. Elas tendem a ser muito passivas e pouco incisivas durante a negociação - Divulgação

A diferença salarial entre homens e mulheres ainda é uma triste realidade do mercado de trabalho. Mas, apesar da diferença, ano após ano estamos reduzindo essa distância e lutando pela igualdade salarial e de direitos no mercado de trabalho. Em março, o mundo todo celebra o Dia Internacional da Mulher e, nada como um dia dedicado à busca por igualdade para falarmos sobre essa questão.

Um levantamento feito pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - aponta que o salário das mulheres equivale a 76% do dos homens, o que representa 24% menos. Se levarmos em consideração os salários em middle e top management (média e alta gerência), as mulheres chegam a receber 32% a menos. Em outro estudo, dessa vez realizado em 2016, pelo Fórum Econômico Mundial, analisando a paridade de sexos no mundo, o Brasil ocupa a 79º posição entre 144 países.

A Islândia lidera a classificação de países com maior igualdade salarial. Lá os homens ganham cerca de 13% a mais do que as mulheres. A fim de reduzir de vez essa disparidade, em janeiro desse ano, o país nórdico tornou obrigatória a igualdade salarial. A nova lei exige que todas as empresas e instituições com mais de 25 funcionários obtenham certificado de pagamento igualitário.

No Brasil, ainda temos um longo caminho a ser percorrido. Existe um fato que agrava as diferenças salariais e, de certa forma, ajuda a explicá-la. As mulheres, quando recebem uma proposta profissional, não costumam negociar o salário. Elas tendem a ser muito passivas e pouco incisivas durante a negociação. Normalmente, elas buscam maiores vantagens dentro dos benefícios e, quando estão argumentando pela remuneração, assumem um tom de pedido e não imposição. Enquanto isso, os homens demonstram mais confiança e são mais “agressivos” na hora de negociar. Eles recusam as propostas quando não concordam com os salários e pedem para negociar diretamente com quem está contratando.

Acho extremamente importante olharmos para essa diferença e empoderarmos as mulheres para negociarem melhor suas posições, cargos e salários. Eu percebo que a falta de confiança e a posição de passividade foi imposta ao longo de muitos anos sobre as mulheres e, essa característica tem afetado - e muito - a folha de pagamento das mesmas.

Existem várias ações possíveis para reduzirmos essa diferença. A primeira, mais difícil e importante, é lutarmos contra a essa difícil questão social institucionalizada, conhecida como machismo. Buscar por igualdade em todos os âmbitos sociais irá, consequentemente, trazer essa equidade para dentro das empresas.

Falando especificamente sobre as relações de trabalho, acho importante lutarmos por medidas e políticas empresarias mais inclusivas para a mulher. A formação de equipes com maior diversidade de gênero não só contribui para oxigenação das ideias como também insere a mulher em mercados onde ainda vemos poucas profissionais.

É claro que politicas empresariais no papel não irão mudar o mundo, mas são a porta de entrada para uma mudança de mindset. Uma política importante de ser modificada é a licença paternidade com o mesmo período da licença maternidade. Muitas mulheres acabam sendo prejudicadas quando decidem engravidar, por saberem que a responsabilidade sobre o filho irá recair muito mais sobre os ombros delas. Equipararmos as responsabilidades e o período de licença é um grande passo rumo ao mesmos direitos no mercado de trabalho.

Apesar de serem ações importantes, o que realmente fará a diferença é o empoderamento feminino. As mulheres precisam acreditar no seu potencial, valorizar mais suas qualidades e verdadeiramente lutarem pelos seus direitos. Elas precisam aprender a negociar com mais entusiasmo e confiança, seja na hora de pedirem maiores salários, defenderem suas ideias e ou se posicionarem enquanto profissionais. Certamente, ainda temos um longo caminho pela frente, mas a boa notícia é que, com uma boa dose de confiança, reduziremos gradativamente essa diferença.

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