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Perfil 'ideal' da criança, gera fila de espera entre os candidatos para adoção

Dos 314 pretendentes, 67 deles esperam por crianças de até dois anos Hanelise Brito | sexta, 20 de novembro de 2020 - 12h00
A criança passa a constar na lista de adoção após as tentativas de reinserção na família de origem falharem A criança passa a constar na lista de adoção após as tentativas de reinserção na família de origem falharem - (Foto: Getty Images)

Em Mato Grosso do Sul existem 725 crianças em situação de acolhimento, sendo que 130 delas estão disponíveis para adoção.  Os dados são do Conselho Nacional de Justiça e mostram que no Estado existem 314 pretendentes disponíveis para adotar. Como o número de interessados é muito maior do que o de crianças disponíveis para adoção, seria de se esperar que todas essas crianças encontrassem um lar. Mas a realidade é outra.

Quem explica mais sobre este cenário é a Juíza da Vara da Infância, Adolescência e do Idoso de Campo Grande – MS, Katy Braun.  “Os pretendentes preferem crianças menores, pois desejam vivenciar as fases iniciais de desenvolvimento de um filho e também temem que uma criança maior não se adapte na nova família. Com isso, as crianças com mais de 8 anos de idade, adolescentes, doentes, deficientes e pertencentes a grupos de irmãos, têm menores chances de serem aceitas como filhos”, explicou. 

Dos 314 pretendentes, 67 deles esperam por crianças de até dois anos, 111 aceitam filhos de até 4 anos, 83 adotariam crianças com até seis anos e apenas 27 aceitariam crianças com até 8 anos de idade.

A criança passa a constar na lista de adoção após as tentativas de reinserção na família de origem falharem, e caso não haja formas de ficar com a família extensa.

Sobre o cenário atual, ela afirma que este já foi pior. “Esse cenário já foi muito mais crítico. Há 22 anos, no início da minha carreira, encontrar adotantes para uma criança de mais de dois anos de idade era um desafio. Também havia muita resistência à adoção de irmãos e preconceito racial. Atualmente, a cultura da adoção está mais amadurecida e aos poucos a criança vai sendo vista como sujeito que têm direito à convivência familiar e não um objeto para satisfação dos sonhos e interesses dos adultos”, afirmou.

Ainda segundo a juíza, a ampliação do desejo por diferentes perfis é trabalhada durante o processo de adoção. “O poder judiciário oferece um programa de capacitação para os pretendentes à adoção, etapa obrigatória do procedimento de habilitação, durante o qual os participantes são levados a refletir sobre seu ideal de família e capacidade de ampliar o perfil. Os grupos de apoio à adoção também incentivam essas adoções que chamamos de "necessárias", finalizou. 

A realidade de quem adota

Ana Lúcia Lopes, 49, adotou duas meninas de três e cinco anos de idade, realizando assim, o desejo de ser mãe.  “O meu desejo de adotar, surgiu através do meu sonho de ser mãe. Eu não pude ser mãe biológica e depois de muito estudo sobre o assunto, eu dei início ao meu processo, que durou um ano e cinco meses. Em maio deste ano, eu recebi o telefonema tão esperado, elas estavam me aguardando. Elas precisavam de uma mãe e eu precisava de duas filhas. Já estamos juntas hoje há 6 meses, todo o processo foi maravilhoso, hoje eu sou mãe das duas pequenas, e elas trouxeram vida para minha vida,” conta. 

A convivência familiar tem papel importante no desenvolvimento de qualquer pessoa, o psicólogo Carlos Henrique de Oliveira trabalha diretamente com crianças aptas a serem adotadas e afirma a importância de elas receberem um lar. 

“Quando a criança vem de um lar sem nenhuma estrutura e não consegue encontrar amor e proteção em sua família de origem, ela pede para ser adotada. Aquelas que não tiveram os seus direitos resguardados tem o total direito de receber um novo lar. A adoção é importante porque devolve para a criança os direitos que ela tem à estudo, saúde, educação, moradia, amor e carinho, afirmou.

O processo de adoção 

Qualquer pessoa maior de 18 anos pode adotar, independente do estado civil.  Existem dois tipos de adoção: A adoção realizada por uma pessoa, chamada de adoção unilateral, neste caso, o adotante precisa ter no mínimo dezesseis anos a mais que o adotando.

A outra opção é a adoção realizada por duas pessoas. Chamada de adoção conjunta, é um processo que necessita que os adotantes, independente do modelo familiar, sejam casados civilmente ou mantenham união estável, e seja comprovada a estabilidade da família. 

O primeiro passo para adotar é procurar a Vara da Infância e Juventude, onde o interessado irá obter informações sobre o processo de adoção e receberá uma lista de documentos pessoais a serem apresentados. Depois, o candidato deve passar por um curso de preparação, adquirindo uma noção mais ampla para a chegada de um novo integrante.

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