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MEMÓRIA

História de Flávio de Andrade está entrelaçada com as de Campo Grande e de MS

Filho de Dolor Ferreira de Andrade e Avelina Corrêa da Costa de Andrade, o advogado e produtor rural teve participação ativa na criação do Estado Da Redação | quarta, 30 de dezembro de 2020 - 14h00
O advogado e produtor rural Flávio Benjamin Corrêa de Andrade, tinha 92 anos O advogado e produtor rural Flávio Benjamin Corrêa de Andrade, tinha 92 anos - (Fotos: Arquivo pessoal)

Falecido no último dia 29 de dezembro, o advogado e produtor rural Flávio Benjamin Corrêa de Andrade, 92 anos, tem uma longa e bonita trajetória de vida, que se confunde com as histórias de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul, Estado que ajudou a criar em 1977 graças à forte articulação política na época ao lado de outros grandes nomes locais. Nascido no município de Campo Grande em 31 de agosto de 1928, ele é filho do pecuarista Dolor Ferreira de Andrade e de Dona Avelina Corrêa de Andrade.

Ele deixa a esposa Ana Conception de Andrade, com quem se casou em 1959, três filhos - Flávio Luís, Maria Tereza e Cármen Lúcia -, sete netos – Diego, Luciana, Flávia, Pâmela, Pedro Felipe, Carmem Carolina e Luiza – e três bisnetos - Maria Eduarda, Pedro e Davi. Conhecido pela articulação política, Flávio Benjamin Corrêa de Andrade teve forte influência sobre a criação do Estado.

Nas nove décadas de vida, além de ter participado ativamente do processo de criação de Mato Grosso do Sul, ele também foi um dos fundadores do SRCG (Sindicato Rural de Campo Grande) e da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), além de ser filho de um dos fundadores da Acrissul (Associação de Criadores de Mato Grosso do Sul), sendo um dos presidentes da entidade, a qual comandou por um mandato.

Flávio e a esposa Ana Conception de Andrade

Devoto de São Judas Tadeu, o Santo das Causas Impossíveis, desde menino, fiel à orientação materna, que nunca deixou de cumprir, comparece à Igreja de São Judas Tadeu, todo dia 28 de cada mês, superpondo-se a qualquer obstáculo impeditivo, para vivenciar, gratificado, a sua doce expansão de fé. Ligou-se, desde muito jovem, à Auditoria Militar da 9ª Circunscrição Judiciária Militar, em razão de seu pai ter nela exercido o cargo de substituto de juiz-auditor desde o início da década de 1930 até o ano de 1945.

Carreira na Justiça Militar - O primeiro contato que teve com uma Auditoria de Justiça Militar foi na década de 1940, quando entrou na Auditoria Militar da 9ª Circunscrição Judiciária Militar, cuja sede era na esquina da Rua Dom Aquino com a Rua 13 de Maio, no período de 1943 a 1948. Em 1945, mudou-se para o Estado do Rio de Janeiro, acompanhando o pai, que fora eleito deputado federal por Mato Grosso à Assembleia Nacional Constituinte.

No Rio de Janeiro, concluiu o Curso Científico e, subsequentemente, cursou Direito na Faculdade de Direito do Distrito Federal (UDF), atual UERJ. Formou-se em 1952 e retornou, após a formatura, a Campo Grande, por não gostar de residir em cidade grande. Quando da época da realização de vestibular para ingresso em curso superior, tinha decidido pelo curso de Medicina, para o qual se preparou com afinco, mas, sofreu a influência de um colega de ginásio, o Carlinhos, filho do maior Oftalmologista do Rio de Janeiro de então. Carlinhos escolhera o curso de Medicina para futuramente substituir o pai.

Flávio tinha uma carreira na Justiça Militar

Contudo, alguns meses antes do vestibular, Flávio Benjamin Corrêa de Andrade sofreu profunda frustração ao presenciar o socorro médico prestado a um jovem de 15 ou 16 anos, entregador de tinturaria, que fora atropelado em frente ao prédio onde morava. Neste episódio, a Medicina mostrou-se totalmente impotente, aos olhos do jovem Flávio Benjamin Corrêa de Andrade para auxiliar a vítima, que terminou morrendo.

Perplexo ante a ocorrência, impactado pela fragilidade da atuação médica que fora incapaz de fazer algo por aquela vida humana, decidiu, após longa reflexão, que não mais faria Medicina. Subsequentemente, redirecionou os estudos modificando a sua preparação para o vestibular, visando o curso de Direito. Por fim, obteve a aprovação no certame e concluiu o curso de Direito em 1952, aos 24 anos de idade.

Vida em Campo Grande - Recém-formado, abriu um escritório de advocacia em Campo Grande e chegou a pegar algumas causas jurídicas para atuação. No entanto, enfrentou sérias dificuldades, porque naquele tempo era muito difícil e desanimador advogar em Campo Grande. Isto, porque a capital do Mato Grosso era Cuiabá, e a sede do Tribunal de Justiça era lá. Isso implicava deslocamento de 700 quilômetros, sem boas estradas, para atendimento dos reclamos do exercício da advocacia, o que praticamente inviabilizava a atividade e obstou inevitavelmente a sua continuidade.

Nessas circunstâncias, foi convidado por Luís Alexandre de Oliveira, então proprietário do tradicional Colégio Osvaldo Cruz, para desempenhar atividade docente, encargo que muito apreciou. Atuou como professor das disciplinas de História e Geografia, por 3 ou 4 anos, em um momento em que as salas de aula eram ainda iluminadas pela poesia perdida de lampiões Aladim.

A história de vida de Flávio Benjamin Corrêa de Andrade é muito rica, pois ele descende de importante família de pioneiros colonizadores da região e teve também destacada atuação na luta pela divisão do Mato Grosso para a criação de Mato Grosso do Sul. Pode-se dizer que o seu histórico existencial e profissional guarda íntima relação com o desenvolvimento do município de Campo Grande e com o Estado, com os quais, direta ou indiretamente, muito contribuiu para o largo progresso que hoje alcançaram.

Ao Ministério Público Militar, como se consigna a seguir, dedicou-se por quase quatro décadas, das quais mais de três oficiando no âmbito da Auditoria Militar da 9ª Circunscrição Judiciária Militar, em que ocupou os cargos, em subsequência, de primeiro substituto de promotor de 3ª Categoria de Justiça Militar, procurador-militar de 3ª Categoria, procurador-militar de 2ª Categoria, procurador-militar de 1ª Categoria e, por fim, subprocurador-geral Militar, renomeado, atualmente, para subprocurador-geral de Justiça Militar.

Humildade - Segundo o neto Diego Trindade, o avô era um homem muito simples e humilde, tendo como paixão as propriedades rurais que tinha. "Ele tratava com a mesma educação de presidentes da República e governadores aos funcionários e trabalhadores braçais. O que mais gostava mesmo era do agronegócio, contribuindo para o desenvolvimento da atividade em Mato Grosso do Sul", recordou, reforçando que ele era um grande admirador de cavalos da raça árabe.

Flávio era um homem muito simples e humilde e gostava de ficar com a família

Além de advogado e produtor rural, Flávio Benjamin Corrêa de Andrade também foi subprocurador-geral da Justiça Militar e procurador-geral da República. "Meu avô era um homem sábio, humilde e cheio de misericórdia, compaixão e integridade. Um homem que exerceu de maneira honradíssima os atributos que lhe foram confiados por Deus: pai, avô, bisavô, marido e amigo sempre zeloso, presente e carinhoso", recordou.

Ele acrescenta que o avô amparava e defendia com todas as forças os valores da família. "Foi produtor rural, exerceu uma carreira brilhante como procurador-geral da República e no magistério, que foi sua outra paixão além do agronegócio. Viveu de maneira digna e Deus o honrou, levando de maneira digna. Até os seus últimos dias foi firme, forte e corajoso, um exemplo a ser seguido por seus descendentes. Por isso, gosto de dizer sempre: honre suas origens e seus ancestrais, pois você não seria nada sem eles", finalizou.

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