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CROCHETEIRO

'Homem na agulha': Lucas quebrou preconceitos e fez do crochê sua fonte de renda

O crocheteiro hoje é reconhecido pelos seus diversos trabalhos Hanelise Brito | quinta, 14 de janeiro de 2021 - 10h30
Lucas mostra orgulhoso um de seus trabalhos Lucas mostra orgulhoso um de seus trabalhos - (Foto: Reprodução)

Lucas Gregório, 28, era apenas uma criança quando começou a se interessar pelo crochê. Antes de abrir a sua empresa, o crocheteiro enfrentou algumas dificuldades na vida, mas nunca deixou de acreditar que o crochê poderia ser o seu trabalho.

“Aprendi a fazer crochê ainda quando criança, por volta dos 6 anos. Tinha quatro irmãs, sendo o único menino e algumas delas iam aprender a fazer com uma vizinha, eu achava interessante e também quis aprender. Mais tarde, participei de um programa educacional que também incentivava as crianças a trabalharem com artesanato, onde eu tive contato novamente com o crochê”, contou.

Morador de Cassilândia, a 338 km de Campo Grande, Lucas conta que passou a se distanciar do crochê após começar a trabalhar. “Fui crescendo e cada vez me distanciando mais do crochê, pois comecei a trabalhar na construção civil muito cedo. Houve um tempo em que tive muita dificuldade de conseguir emprego nessa área, trabalhei por um tempo como entregador em um supermercado, como marmoreiro e até como padeiro, e entre um emprego e outro comecei fazer crochê novamente”, disse.

Lucas fica orgulhoso a cada trabalho pronto

A princípio, o empresário não acreditava que o crochê que poderia se tornar seu “ganha pão”, mas passou a ver uma possibilidade de aumentar a renda nas suas horas livres.

“Em 2016, consegui emprego como motorista de caminhão, mais tarde acabei sofrendo um acidente de trabalho e não pude mais pegar peso, por isso tive que deixar o serviço.  Logo consegui trabalho de motorista de transporte escolar e no meu tempo vago comecei a produzir ainda mais peças de crochê”, contou.

O crocheteiro faz diversos trabalhos

Foi entre uma produção e outra que as encomendas começaram a surgir. “Começaram a surgir encomendas e eu fui ficando animado por estar tendo um retorno que nem eu mesmo esperava. Meu contrato como motorista acabou e foi aí que eu, juntamente com a minha esposa, que sempre me apoiou desde o início, decidimos apostar no crochê como meu principal meio de trabalho”, explicou.

O crocheteiro ressalta que o caminho não foi fácil, e que demorou um pouco para que ele passasse a ter uma renda proveniente do crochê. “Tivemos que ter paciência e acreditar que isso realmente seria possível. Houve dias que pensei em desistir, principalmente porque é um trabalho muito cansativo. Dependendo do dia sinto dores terríveis, pois tenho prazos a cumprir e às vezes, quando é preciso, passo a noite trabalhando pra dar conta de entregar as encomendas”, afirmou.

O profissional tem mais de 11 mil seguidores no Instagram

Questionado se já sofreu algum preconceito, Lucas afirmou que sim, e que já ouviu muitos desmerecerem a escolha da sua profissão.

“Infelizmente o preconceito existe, tanto por eu ser homem, quanto por eu ter escolhido o crochê como trabalho e única fonte de renda. Já sofri alguns ataques diretamente, e, principalmente no início, perguntas do tipo “você é ex-presidiário”, “você é homossexual”, “você trabalha só com crochê”, “você não tem um trabalho de verdade” eram bem comuns e eu mesmo me sentia constrangido de responder em que trabalhava”, contou o crocheteiro.

“Mas o que tive de negativo nem se compara a tudo de bom que já ouvi, a tanta gente que admira meu trabalho e que torce pela minha realização profissional. Sempre recebi o apoio das pessoas que amo e hoje em dia me sinto realizado, fazendo algo que amo e que posso dizer com propriedade que faço com excelência, sinto que estou conseguindo meu espaço e abrindo caminho pra muitos que, assim como eu, sonham em viver do crochê”, completou.

Tapete do personagem Darth Vader de Star Wars

O carro-chefe da sua empresa são os sousplats, mas o seu trabalho inclui tapetes, bolsas, macramê todo tipo de trabalho em crochê.

“Meu trabalho hoje em dia vai muito além do “crochetar”. As redes sociais são minhas aliadas e se tornaram ferramentas de trabalho tão importantes quanto os fios e as agulhas, faz parte do meu dia a dia auxiliar todos aqueles que me procuram pra tirar dúvidas sobre crochê”, contou.

Lucas ressaltou ainda que além de usar as redes sociais - que hoja conta com mais de 11 mil seguidore - para o próprio crescimento profissional, tenta fazer a diferença na vida daqueles que estão começando e que precisam de um apoio.

“Tenho ajudado e incentivado muitas pessoas que estão iniciando na arte do crochê, inclusive rapazes que também querem se tornar crocheteiros, mas sentem receio de se exporem e sofrerem algum tipo de preconceito. Eu sei o quanto esse tipo de apoio no início é importante e tenho me dedicado muito a isso”, finalizou.

Para saber mais sobre o trabalho de Lucas, siga a sua página no Instagram.

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